O horror cordial
Diretora dos curtas A Mão Que Afaga (2012) e Estátua! (2014) e dos longas O Animal Cordial (2017) e A Sombra do Pai (2018), Gabriela Amaral Almeida é um dos principais nomes do cinema brasileiro contemporâneo. Baiana radicada em São Paulo, nesta entrevista a Luiz Baez, Vera Follain de Figueiredo e discentes da Pós-graduação em Comunicação e em Literatura, Cultura e Contemporaneidade da PUC-Rio, ela fala sobre o homem cordial de Sérgio Buarque de Holanda, o impeachment de Dilma Rousseff, a classe trabalhadora, o subgênero de horror slasher – e de como tudo isso se traduz na sua filmografia. “Muitos filmes hiperestilizados fazem você esquecer que está vendo um filme, e o meu objetivo é não esquecer nunca que aquilo é uma obra, não apagar a consciência de estar assistindo a alguma coisa”, declara a cineasta.
“O horror da cordialidade brasileira: entrevista com Gabriela Amaral Almeida”
Por Luiz Baez
Alceu (PUC-Rio)
v. 23, n. 50, 2023
Cannes, Cahiers, Cinema Novo
Embora O Cangaceiro (1953) e O Pagador de Promessas (1962) já tivessem sido premiados no Festival de Cannes, foi a partir do ano de 1964 que o cinema brasileiro e a crítica francesa se aproximaram de maneira definitiva. Com a participação de Deus e o Diabo na Terra do Sol e Vidas Secas na Competição Oficial e de Ganga Zumba na Semana da Crítica, o Cinema Novo passou a ser debatido por veículos importantes como a revista Cahiers du Cinéma, que também vislumbrava novidades. Neste artigo, a pesquisadora Belisa Figueiró revisita aquele período histórico e recupera textos encontrados nos arquivos da Cinemateca Francesa. “Na época, surgia um desejo mundial de transformações políticas, sociais e de costumes – que, poucos anos depois, iria desaguar no levante de Maio de 1968 na França –, espraiando diversas tentativas de revolucionar inclusive o cinema tradicional”.
“Cannes 1964: marco do engajamento dos críticos franceses ao Cinema Novo”
Por Belisa Figueiró
Significação (USP)
v. 50, 2023
O arquivo em Coutinho
Conhecido por um cinema documental feito a partir de encontros e conversas com anônimos, Eduardo Coutinho foi também mestre de outros recursos. Os pesquisadores Marcelo Dídimo Souza Vieira e Luana Vitorino Sampaio Passos jogam luz sobre o uso de imagens de arquivo, por exemplo, em Peões (2004). Longe de apenas ilustrar o passado, as imagens de arquivo no filme, defendem Vieira e Passos, são gestos fílmicos. Ao conversar com metalúrgicos do ABC paulista que participaram do movimento grevista no fim dos anos 1970, o diretor insere o arquivo como dispositivo. “Ao observarmos os personagens, notamos as imagens de arquivo desencadeando memórias, como objetos que em sua materialidade e duração fazem pulsar um processo de rememoração da vida pessoal por meio da coletividade expressiva nas imagens”. Aos autores coube analisar não apenas essa inserção, mas a constituição narrativa que ali se dá.
“As imagens de arquivo como gesto fílmico de Eduardo Coutinho”
Por Marcelo Dídimo Souza Vieira e Luana Vitorino Sampaio Passos
Rebeca (SOCINE)
v. 12, n. 2, 2023
Cinema expandido
Interessada no diálogo entre cinema e artes visuais, Iomana Rocha analisa produções gestadas em Pernambuco em diferentes contextos. No campo do cinema, traz à baila Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo (2009), de Marcelo Gomes e Karin Aïnouz; Pacific (2010), de Marcelo Pedroso; e Doméstica (2012), de Gabriel Mascaro. Na seara das artes visuais, foca em Poema: o Filme é a Ponta e a Ponta é o Filme (1979), de Paulo Bruscky; Resgate Cultural (2001), do coletivo Telephone Colorido; e Estás Vendo Coisas (2016), de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca. “Na relação direta entre cinema e arte contemporânea, para além das quebras formais, para além do apagamento das fronteiras dos campos artísticos e cinematográficos, essa relação faz surgir elementos sensíveis que reconfiguram a estética cinematográfica do cinema produzido em Pernambuco”, explica Rocha.
“Transbordamentos do cinema pernambucano”
Por Iomana Rocha
A Barca (UFF)
v. 2, n. 2, 2025
A geopolítica da Disney
Não é de hoje que a Disney está atenta ao mercado da América Latina. Neste artigo, Ariane Holzbach, Aline Mendes e Isabella Verran traçam um paralelo entre Alô Amigos, lançado em 1942, e Encanto, que veio a público em 2021, duas animações com personagens latino-americanos. “Argumentamos que, no passado, foi a diplomacia cultural instituída pelos Estados Unidos o principal motivador para a Disney criar personagens latinos em suas animações. Recentemente, há uma busca mais direcionada aos interesses da audiência em consonância com a necessidade de a empresa se colocar como potência global do entretenimento”, comparam. Em simultâneo à análise fílmica, que considera a construção dramatúrgica e os elementos visuais, o texto discorre também sobre a relação entre Estados Unidos e América Latina na ocasião dos lançamentos.
“O que está por trás da representatividade latina da Disney?”
Por Ariane Holzbach, Aline Mendes e Isabella Verran
Geminis (UFSCar)
v. 16, 2025
Eu nasci assim, eu cresci assim
O que é o melodrama? E como ele se relaciona com a telenovela brasileira? A pesquisadora Juliana Tillmann responde a essas perguntas a partir do estudo de caso de Gabriela, exibida em 1975 na TV Globo. Adaptada do romance de Jorge Amado e estrelada por Sonia Braga, a obra não só foi um grande sucesso daquela década, como foi determinante para a consolidação da teledramaturgia nacional. Nesta investigação, Tillmann contextualiza a presença do melodrama na telenovela, discute o que seria uma imaginação melodramática, apresenta sua metodologia de análise dos videogramas e finalmente examina cenas emblemáticas que reafirmam o elemento melodramático em Gabriela. A autora trabalhou o tema em profundidade em sua tese de doutorado, defendida em 2023 no Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGCOM-UFRJ).
“Melodrama nas telenovelas brasileiras: um estudo de caso de Gabriela, Globo, 1975”
Por Juliana Tillmann
Ação Midiática (UFPR)
n. 28, 2024
Identidade TikTok
Cerca de 78% de usuários de internet entre nove e 17 anos acessam redes sociais. O dado apresentado neste artigo de Rafaela Pinho Melo de Carvalho e Rosinete de Jesus Silva Ferreira acende um alerta sobre o poder de influência que redes sociais detêm sobre adolescentes. No Brasil, por exemplo, mais da metade de pessoas nessa faixa etária já possuem perfil no TikTok, rede de compartilhamento de vídeos curtos lançada internacionalmente em 2017. De olho no debate público sobre o tópico, as pesquisadoras elaboram sobre o papel do TikTok na formação de identidade desse grupo em particular. “Os sujeitos ao mesmo tempo que criam vídeos e ‘trends’ que repercutem na plataforma, também são ‘criados’ por esses mesmos conteúdos que consomem”, ressaltam. Carvalho e Ferreira frisam ainda mudanças em curso em relação à vida familiar, aos estudos e até ao compartilhamento de experiências de viagem.
“O fenômeno TikTok: a influência da rede digital na identidade do adolescente”
Por Rafaela Pinho Melo de Carvalho e Rosinete de Jesus Silva Ferreira
Cambiassu (UFMA)
v. 19, n. 34, 2024

