O crítico cineasta
Mais conhecido pelas ficções O Agente Secreto (2025), Bacurau (2019), Aquarius (2016) e O Som ao Redor (2012), o cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho é também autor de dois longas-metragens documentais. Para o pesquisador Samuel Paiva, tanto Retratos Fantasmas (2023) quanto Crítico (2008) tocam em questões caras à crítica e à realização cinematográfica. Nesse sentido, ambos os filmes seriam capazes de revelar a marca de autoria de KMF – como crítico e como cineasta. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco, ele atuou na área por anos até o cinema prevalecer. Ao revisar a noção de autoria cinematográfica, Paiva vai da politique des auteurs à escrita de si foucaultiana, sem perder de vista o seu estudo de caso. “Percebemos assim que críticos e cineastas têm suas concepções acerca dos filmes, as quais nem sempre convergem. Mas o que acontece quando o crítico se refere a seus próprios filmes?”.
“Crítica de cinema e realização cinematográfica: considerações sobre documentários de Kleber Mendonça Filho”
Por Samuel Paiva
RuMoRes (USP)
v. 19, n. 37, 2025
Cinema indígena latino-americano
“A intenção deste artigo é potencializar a capacidade de escuta dessas narrativas fílmicas, assim como o exercício antigo de colocar uma cadeira na calçada, observar a vida do vizinho e chamá-lo para conversar.” Logo no primeiro parágrafo, Karla Holanda e Manuela Bezerra Gouveia de Andrade assim definem a análise fílmica que empreendem no presente artigo. Debruçadas sobre Tio Yim (2019), da diretora zapoteca Luna Marán, e Rama Pankararu (2022), da roteirista Bia Pankararu, elas aproximam as duas obras em uma “busca por diálogos acerca da representação das lutas simbólicas e materiais que circundam a rotina desses povos ameríndios do México e do Brasil”. A análise é estruturada pelos conceitos de cosmopolítica, pela visão de Isabelle Stengers, do comum, por Silvia Federici e Raquel Gutiérrez, e da comunalidad, de Floriberto Diáz. Todos eles mobilizados para aderir a uma reflexão sobre a vida e a luta indígenas representadas pelos filmes em questão.
“Cinema indígena latino-americano, a cosmopolítica, o comum e a comunalidad: a luta nos filmes de Luna Marán e Bia Pankararu”
Por Karla Holanda e Manuela Bezerra Gouveia de Andrade
Cambiassu (UFMA)
v. 20, n. 35, 2025
Nostalgia, super-heróis e cultura digital
Desdobramento de sua pesquisa de doutorado sobre a construção da nostalgia no cinema, este artigo de Maximiano Duval da Silva Cirne tenta entender como esse mecanismo se dá nos filmes de super-heróis de Hollywood. Para isso, revisa a bibliografia sobre nostalgia e aplica seis categorias à análise audiovisual de longas baseados nos quadrinhos de DC e Marvel. O autor observa referências, sequências, reconstrução de época, efeitos visuais, trilha sonora e roteiro para tecer comentários. Além disso, acrescenta que a participação dos fãs inseridos na cultura digital contemporânea legitimaria e amplificaria essa nostalgia, apoiada em algoritmos que potencializam o engajamento a esses conteúdos. De acordo com Cirne, trata-se de um circuito: “os estúdios oferecem nostalgia, os fãs respondem emocionalmente através dos meios digitais e essa relação orienta novas decisões criativas e comerciais”.
“A nostalgia no cinema hollywoodiano de super-heróis e sua reverberação na cultura digital”
Por Maximiano Duval da Silva Cirne
Fronteiras (UNISINOS)
v. 27, n. 1, 2025
Videoarte no Brasil
O que faz uma obra de arte ser considerada uma videoarte? Ao questionar a necessidade do vídeo como suporte exclusivo para tal, Mario Caillaux Oliveira revisita as definições que acabaram por engessar a prática artística. Segundo ele, embora a videoarte tenha se desenvolvido a partir dos anos 1970 no Brasil, artistas visuais fizeram uso de película cinematográfica e Super-8, já nos anos 1960, para trabalhar a imagem em movimento. Na arte contemporânea, esse debate parece ter ganhado ainda mais força. “Independentemente de seu suporte, o que esses trabalhos trazem é a incorporação de novos sentidos para o campo das artes, ampliando as possibilidades poéticas de cada pesquisa de maneira individual. Não se trata de artistas visuais tentando ser diretores de TV ou de cinema, mas de artistas que acrescentam outras formas de expressão à sua pesquisa”, defende.
“Paradoxos da historiografia e crítica da videoarte no Brasil”
Por Mario Caillaux Oliveira
Alceu (PUC-Rio)
v. 25, n. 56, 2025
Rir para não chorar
Humor e política fazem parte do audiovisual brasileiro há décadas. Neste artigo, Rafael Sbeghen Hoff e Guilherme Fumeo Almeida rememoram os principais exemplares dos anos 1970 até os dias de hoje, passando por Jô Soares, Chico Anysio, TV Pirata e Casseta e Planeta Urgente. Como estudo de caso, elegem os vídeos do Porta dos Fundos, coletivo online fundado em 2012, e do Sinta-se em Casa, quadro humorístico da TV Globo criado no contexto da pandemia de Covid-19. “É possível destacar movimentos de ambiguidade e multiplicidade na crítica política construída pelos dois objetos, que dialogam com décadas de história da consolidação do humor político audiovisual brasileiro, incorporando e fundindo diversas marcas estéticas e narrativas em suas formas de construir um diálogo entre humor e sociedade”, observam os autores. Para eles, além de fazer rir, os vídeos fazem pensar, acionando “uma reflexão sociopolítica sobre os discursos e seus desdobramentos no estado de espírito dos consumidores”.
“Entre transformações e constâncias: Porta dos Fundos, Sinta-se em Casa e as marcas do humor político audiovisual brasileiro contemporâneo”
Por Rafael Sbeghen Hoff e Guilherme Fumeo Almeida
Contemporanea (UFBA)
v. 23, n. 1, 2025
A novela do futuro
Lançado em 2023, o livro A Telenovela e o Futuro da Televisão Brasileira é o resultado da pesquisa de doutorado de Rosane Svartman. Conhecida como autora de novelas como Vai na Fé (2023), Bom Sucesso (2019) e Totalmente Demais (2015), Svartman é também diretora, produtora e doutora em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Especialista em teledramaturgia, sua contribuição ao campo é resenhada por Claudinei Lopes Junior neste texto. Para ele, o estudo “versa sobre um momento atual e candente, marcado pela proliferação de telas, pelo deslizamento de conteúdos e pelas práticas de interação e participação mais ativas de espectadores”. No livro, a autora esmiúça estratégias de conteúdo transmídia como fanfics e spin-offs, além de comentar a disponibilização de trechos e capítulos no streaming, como movimentos que demonstram que o debate em torno da telenovela está mais vivo do que nunca.
“A telenovela brasileira: enquadramentos possíveis para o futuro”
Por Claudinei Lopes Junior
Eco-Pós (UFRJ)
v. 27, n. 1, 2024
Os escritos de Cacá
Um dos principais nomes ligados ao Cinema Novo, Cacá Diegues tem seus primeiros escritos analisados neste artigo de Victor Santos Vigneron. Com recorte que cobre de 1955 a 1963, o pesquisador olha para a fase inicial da escrita do diretor como uma maneira de conhecer mais a fundo seus anos de formação. O texto inaugural é um conto publicado no Jornal de Alagoas quando Diegues tinha apenas 15 anos. Como ponto de chegada, Vigneron elege 1963 por este ter sido o ano de publicação do seminal Revisão Crítica do Cinema Brasileiro, de autoria do colega cinemanovista Glauber Rocha, uma “obra que cristaliza uma determinada definição de Cinema Novo”. Falecido em 2025, o artigo nos aproxima do cineasta referencial que assinou clássicos como Ganga Zumba (1964), Xica da Silva (1976) e Bye Bye Brasil (1979).
“Diegues, de Carlos a Cacá (1955-1963)”
Por Victor Santos Vigneron
Rebeca (SOCINE)
v. 15, n. 1, 2026

