Piscina polissêmica
Qual o significado de uma piscina vazia? Pegando emprestado dos estudos de artes visuais o conceito de motivo visual, este artigo de Mariana Souto e Livia Azevedo busca investigar um grupo de filmes que têm em comum a referida imagem. Em longas como O Som ao Redor (2012), Que Horas Ela Volta? (2015), A Felicidade das Coisas (2021) e Sem Coração (2023), para citar alguns, a piscina vazia pode representar abandono, ruína, crise ou decadência de classe. “A secura dá a ver a estrutura arquitetônica da piscina ao mesmo tempo que anula seu propósito recreativo; em vez da suspensão do corpo permitida pela água, temos a dureza do azulejo frio, contra o qual um mergulho teria o sentido de autodestruição deliberada”, dissertam as pesquisadoras.
“Constelação fílmica e motivo visual: a piscina vazia no cinema brasileiro contemporâneo”
Por Mariana Souto e Livia Azevedo Lima
Eco-Pós (UFRJ)
v. 28, n. 2, 2025
A mise-en-scène em Santiago
Frequentemente listado nos rankings de melhores filmes brasileiros, só este ano Santiago (2007) marcou presença nas listas da Abraccine, Folha de S.Paulo e O Globo. Considerado por muitos a obra-prima de João Moreira Salles, o documentário traça um retrato sensível do mordomo argentino Santiago Badariotti Merlo, que por décadas trabalhou para a abastada família do documentarista. O que parece ser, a princípio, uma biografia logo se transforma em uma reflexão sobre memória, diferenças sociais e a complexidade do registro documental. Neste artigo, Bertrand de Souza Lira revisita o longa-metragem para analisar como o diretor constrói o sentido do filme por meio de planos, enquadramentos e ângulos específicos, enfatizando, assim, a própria relação que tinha com o personagem.
“Encenação, cinematografia e expressão no documentário ‘Santiago’”
Por Bertrand de Souza Lira
Revista Científica (UNESPAR)
v. 32, n. 1, 2025
Cinemas em Confronto
A revista A Barca, vinculada ao Programa de Pós-graduação em Cinema e Audiovisual (PPGCine) da Universidade Federal Fluminense (UFF), publicou os primeiros resultados do projeto Cinemas em Confronto, coordenado por Reinaldo Cardenuto, Patrícia Machado e Cintya Ferreira. Com o objetivo de mapear médias e curtas-metragens que foram de encontro à ditadura militar (1964-1985), o projeto oferece não apenas uma listagem dos filmes, mas verbetes que dão conta de cada uma das obras. Neste primeiro momento, o panorama apresenta filmes realizados entre 1964 e 1968. Entre eles, pérolas como A Entrevista (1966), de Helena Solberg, Procissão dos Mortos (1968), de Luís Sérgio Person, e Bla Bla Blá (1968), de Andrea Tonacci. “Muitas obras do período, na esteira dos questionamentos sociais e políticos propostos pelo Cinema Novo, traçaram diagnósticos críticos acerca do Brasil. Nos interessava, porém, selecionar curtas e médias que, no enfrentamento à repressão então vigente, colocaram- se de modo mais assertivo contra a ditadura.”
“Enciclopédia Cinemas em Confronto (parte 1: 1964-1968): curtas e médias-metragens em resposta à ditadura militar brasileira”
Por Reinaldo Cardenuto, Patrícia Machado e Cintya Ferreira
A Barca (UFF)
v. 3 n. 1, 2025
James Baldwin
“Sobre meus interesses: não sei se tenho algum, a menos que o desejo mórbido de possuir uma câmera de dezesseis milímetros e fazer filmes experimentais seja encarado como tal.” As aspas são do escritor e ativista norte-americano James Baldwin, que tem sua relação com o cinema investigada neste artigo de Tiago Costa. Mais do que o desejo de fazer filmes, o olhar de Baldwin sobre a produção audiovisual dos EUA demonstra seu interesse pelo campo – e sua habilidade para criticá-lo. Para Costa, “ao longo de toda a sua obra ensaística, nos deparamos com análises cirúrgicas da encenação do estilo de vida americano no cinema do século XX”, sendo seu mote central “a exposição do racismo velado no discurso e na estética dos filmes hollywoodianos”.
“James Baldwin e o cinema: a política racial de Hollywood no século XX”
Por Tiago Costa
Contemporanea (UFBA)
v. 23, n. 1, 2025
Animação e estereótipo
Os estereótipos de gênero atingem também o cinema de animação. Interessados em entender o atual momento da indústria voltada ao público infanto-juvenil, Lívia Vasconcelos Guedes Rodrigues e Ivan Mussa Tavares Gomes analisam as cinco maiores bilheterias de filmes animados lançados no Brasil e produzidos entre 2012 e 2022. Os pesquisadores tiveram como base uma tabela que elenca características associadas à ideia de masculinidade e à ideia de feminilidade, a fim de identificar tais características nas personagens femininas das animações selecionadas. “É o conjunto destes fatores, observados de forma contextualizada, que nos permitirá tecer relações entre sua atuação e os vários estereótipos de gênero que povoam o cinema de animação”, explicam. Aparecem na análise, por exemplo, Merida, de Valente (2012); Elsa e Ana, de Frozen: Uma Aventura Congelante (2013); e Moana, de Moana: Um Mar de Aventuras (2016).
“Estruturas do protagonismo empoderado: uma análise codificada das personagens femininas no cinema de animação estadunidense contemporâneo”
Por Lívia Vasconcelos Guedes Rodrigues e Ivan Mussa Tavares Gomes
Rebeca (SOCINE)
v. 14, n. 1, 2025
A revolução não será televisionada
Primeiro de maio, 1968, Cuba. Como o feriado do dia do trabalhador foi retratado naquele ano em especial? Mariana Martins Villaça conta que de forma diferente, a depender do retratista. Em outras palavras, ela destaca o sentido ideológico por trás da captação e edição de imagens no contexto da Guerra Fria. Neste artigo, ela olha tanto para material produzido pelo Instituto Cubano del Arte e Industria Cinematográficos (ICAIC) para edição do cinejornal estatal Noticiero ICAIC Latinoamericano (NIL) quanto para imagens da agência de notícias norte-americana United Press International (UPI) exibidas em O Seu Repórter Esso, telejornal da TV Tupi. “Notadamente, há em comum nas duas abordagens a beligerância prevalente nos dois lados da Guerra Fria. O Repórter Esso enaltece, por meio da intervenção do âncora, o poderio norte-americano, enquanto o cinejornal cubano exalta a capacidade do país em superar suas metas e surpreender o inimigo.”
“O 1º de maio de 1968 em Cuba sob lentes cubanas e norte-americanas”
Por Mariana Martins Villaça
Significação (USP)
v. 52, 2025
Divulgação científica
Criada em 2016, a Science Vlogs Brasil é uma rede formada por canais do YouTube que abordam temas relativos à ciência. Durante a pandemia de covid-19, os divulgadores científicos associados à SVBr cumpriram papel fundamental para disseminar informações sérias em meio à crise sanitária. Com o intuito de analisar a ocorrência de critérios e atributos de credibilidade das fontes, o artigo de Maurício de Vargas Corrêa e Sonia Elisa Caregnato se detém a um corpus formado por sete vídeos publicados a respeito do desenvolvimento de vacinas. Na análise, atributos como objetividade na abordagem dos fatos, fornecimento de dados para contato e menções dos canais nas mídias sociais foram identificados com frequência. Por outro lado, aspectos relacionados à formação educacional e à área de atuação dos divulgadores mereceriam mais destaque para garantir credibilidade junto ao público, aponta a dupla.
“Conteúdos sobre o desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19 no YouTube: uma análise de credibilidade da fonte”
Por Maurício de Vargas Corrêa e Sonia Elisa Caregnato
Comunicação & Informação (UFG)
v. 28, 2025

